terça-feira, 6 de maio de 2008
Sentir
Ah mãe, agradeço-te eternamente por ser teu filho. Por sentir-me inteiro...por viver de verdade...por não temer a proximidade. Não temo as paixões...delas sempre se extrai algo. O amor é minha faculdade e nela sei que me saio bem. Não uso escudos na batalha de Afrodite. Não temo as chagas porque sei que o sangue que delas escorre me unge de sabedoria. Este mesmo sangue fruto da ferida é o sangue do pulsar de um coração. O mesmo sangue que faz a mão tremer ou a fala falhar quando se vê um ser especial. O mesmo sangue que faz desabrochar um sorriso ao se ver uma criança que aprendeu a andar. O mesmo sangue que faz a lágrima descer ao ver um filho nascer. São dessas coisas que falo, mãe...dessas coisas que tornam nossa existência verdadeira...inesquecível. Dessas coisas que fazem a vida ser vida. De que adianta viver podando-se? Viver com cautela...com medo de sofrer...perdendo as oportunidades de viver à flor da pele...de experimentar a essência da vida. Viver para este filho de Afrodite é brincar com Eros, é experimentar do mais sublime prazer a mais corrosivas das dores. Viver é sentir.
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