Sem nexo...sim, assim é a vida. Enquanto caminhamos até sua única finalidade: a destruição. Ver as ruínas de falsos sonhos...de planos para mascarar a inutilidade do viver. Sons que confortam e disfarçam o vazio. Tudo em vão...chega um momento em que a terrível verdade nos joga contra uma parede e nos tira as lentes da mentira: a vida é nada senão um vão percurso. Algo se ganhará..mas para nada. Tudo se perde..amores, sorrisos,dores...sim até as dores...elas são talvez as mais sinceras entre os sentimentos...não iludem. Sempre me fazem sentir algo vivo. Mas no fundo estou morto. Só os sonhos me prendem...mas de que adianta? Não posso realiza-los. Ver minhas fantasias e pensamentos numa tela é algo cada vez mais distante. Serviria de consolo...ficaria novamente sedado até a destruição. Formaria minha falsa ruína e nela não veria nada além dos sonhos. Mas nada disso acontecerá.
Desejaria ser um robô. Não sentir, não morrer. Não ser, somente fazer. A maquinicidade da vida...fazer sem pensar na finalidade. Agir sem visar nada. Somente agir. Construir,destruir,contruir,destruir. Um robô não sonha, não se frustra, não se apaixona...Ah o amor...uma possível redenção. Cada vez mais distante. Distante de mim e de ti. Distante da vida. Vejo tudo com olhos desinteressados agora. Seria mais fácil desistir. Não posso...falta-me o valor pra tal. Enquanto isso sigo aqui alimentando minhas frustrações e sedimentando algo de uma ruína. E assim dou mais um passo rumo ao fim.
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