sábado, 24 de maio de 2008

Monotonia e letras roxas

Volto a vomitar as tristezas nas palavras. Hoje sem intuito de beleza ou rigor. Estou cansado de tudo. Sinto agora uma enorme necessidade de anestesia. Preciso disfarçar o cinza do céu, a monotonia. Meu placebo é o álcool. Meu consolo é o cigarro. Meu apoio é a música. Enquanto a embriaguez preenche o sangue e me libera da prisão da timidez, a fumaça entra em meus pulmões e leva consigo a ansiedade. Nos ouvidos o prazer de sons psicodélicos que me levam a viagens de universos multicoloridos onde se anda sobre mares verdes cintilantes e os cabelos são afagados por brisas violetas. Todo o desespero do cotidiano se dissipa por algumas horas. E obviamente tudo volta. Me deito e toda a vida volta a ser real, suja e asfixiante. Estou preso novamente na rotina das semanas que levam séculos para terminar. Tudo é paupável demais, óbvio demais. Isso me corrói...não mais ver beleza nos dias. Só algumas poucas coisas...o som da guitarra, as letras numa tela...letras roxas que vem de um lugar um pouco distante...mas elas estão tão perto. Ela está mais próxima que ninguém. Ela me dá alguma alegria, algum conforto. Quiças um dia eu veja o mundo como ela me diz...belo. Um dia hei de ver.

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