quinta-feira, 1 de maio de 2008
Funeral
É chegada a hora. Nos muros pode-se ver as sombras marchando em uma sombria caminhada até o túmulo. Elas acompanham os meus passos e em sincronia vamos, passo a passo, até o jazido de mármore opaco, quase apagado pelo mau tempo. Chove incessantemente e isso ajuda o deslize de meus pés que, ao contrário de minha cabeça, ainda exitam em levar-te para a despedida. Mas com coragem sigo o percuso fúnebre e finalmente chego ao jazido opaco. Ele não tem nada de especial. Tampoco mereces qualquer luxo, flor ou cerimônia. Agora, recém chegado ao teu destino, vejo o quão inútil e inócua foi nossa convivência. De nada me serviu a não ser arrancar vazias lágrimas desta alma agora livre de teus infortúnios. Enterro-te. Agora estou livre e pronto para percorrer uma jornada cujo destino final é infinitamente mais grandioso do que aquele que teria ao teu lado. Um trono me espera e a sua esquerda o cetro da sabedoria. Na direita a rosa da Arte. Ah, a Arte...de que vale a Arte sem a sabedoria? De nada....se iguala a ti. Tanto tempo tardei em perceber. Mas finalmente agora volto e filho completo de Afrodite me torno. Apadrinhado por Atena vou em busca dos mistérios divinos da Arte e seus prazeres infinitos...prazeres que são a recompensa maior de uma alma que sempre estará iluminada pela mágica da beleza. Beleza que floresce na rosa. Tristeza que jaz na treva.
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