segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Desespero

Se pudesse pedir algo a Deus, pediria uma nova oportunidade...uma chance de voltar no tempo e consertar todos os erros que te magoaram, meu amor. Hoje mal consigo conter as lágrimas e sinto a vida se desvanecer em meu peito. Já não existe nenhum motivo para seguir. Não consigo continuar sem teu perdão. Peço a minha protetora Afrodite que torne os corações mais brandos...que torne a vida mais doce e tragável. Ou então não mais a suportarei. Não sinto mais orgulho nem alegrias...nao sinto mais o sabor de um sorriso. Já nao durmo...sonhando acordado com o dia em que nos veremos e você me perdoará. E eu juro por todos os deuses que não mais te farei mal algum, pois me doi muito mais fazer alguém chorar do que flagelar meu próprio corpo. E assim, em clima de inverno em pleno verão, sigo chorando em desespero até o dia em que o sol raiar novamente em nossos céus...e o amor surgir em rosa novamente em nossas vidas.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Elegia do amante

Encanto...o que fazer quando vira paixão? A verdade é que sempre anseio um amor...sem isso a vida mostra sua verdadeira face: a dor de assistir sua própria destruição.
Mas o amor pode ser uma ilusão de amor. Um branco devaneio de papoula...te da o prazer do sexo, o conforto do carinho e uma breve esperança. Assim, se sonha acordado até o momento em que os pulmões se livram da fumaça floral. De repente, o despertar é como um parto. Numa agonia maiêutica, o corpo desfalece e a alma perde todo brilho. Mas viver é penar...é enganar-se e, como um depressivo tratado com "prozac", colocamos uns óculos cor-de-rosa para recompor a moral. E la vou eu, em busca de novas paixões...não apenas humanas; essas podem destronar-me; mas as intelectuais; que me elevam ao trono do nirvana. Somente a arte é fiel e me completa...somente Afrodite me consola num Olimpo decadente. Ah, minha mãe, como ainda sou pequeno e dependente de ti. Não alço vôo por você e por vertigem. Preso à terra jaz um amante.

"A arte é uma arma carregada de futuro" - Gabriel Celaya, frase citada no filme espanhol Noviembre, de Achero Mañas.

"Vou me embora pra Pasargada" - Manuel Bandeira.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Uma noite...

Sob a luz da lua, uma despedida que custa ser aceita. Abruptamente uma brisa gélida envolve seu corpo...é a solidao. Algumas duras lembranças corroem-lhe a razao e sua alma ja nao é a mesma. Volta a ser alma de criança; nao tolera a solidao e deixa-se levar pelo medo do desconhecido. Clamando por proteçao, o pranto descontrolado incha-lhe a face. As lagrimas nao cessam...mas uma fina parte da logica lhe revela que nada mudou...sempre sera a mesma criança hipersensivel. Fadada a sofrer e atirar-se nas palavras.

domingo, 28 de outubro de 2007

O nada

Traido. No conforto do convivio diario, algumas coisas nao se mostram como de fato sao. O que parece ser um continuo conhecimento do outro nao é nada além de projeçoes de mim mesmo no outro. Dos mais escabrosos angulos da alma, até os mais brilhantes...que sao poucos. Alma Yin, fria, escura e misteriosa. E o engano de conhecer o outro, torna esta alma ainda mais nebulosa. Perco-me na névoa e nao desejo encontrar um caminho que leve à luz. Na verdade, quero voltar ao nada. Sair do ciclo de dominar e ser dominado...de confiar e ser enganado. Retorno entao, ao estado de nao existencia...seguindo a Nietzsche e a Buda, pois nem a dor nem o prazer valem qualquer esforço para serem alcançados.


sábado, 22 de setembro de 2007

Reconhecimento

Fico assustado com o que as pessoas mais gostam. O reconhecimento alheio é algo que me é muito caro. Infelizmente sou assim...taurino com ascendente em sagitário, dragão de madeira. Os céus dizem muito, quer queira quer não. A criação também mas culpar a família não é saudável. Um método de avaliaçao de personalidades, o Eneagrama, revela meu tipo: o realizador...ambicioso, adaptável, encantador. Se preocupam muito com a sua imagem e são competitivos. De momento, não desejo ser melhor, mas desejo ser apreciado...sim, isso é repugnante. Mas não consigo deixar de pensar no porque das pessoas preferirem o que eu menos me esforcei para criar do que nasceu de parto difícil, cuja mãe morreu.
Não se escolhe o que vai ser apreciado... a mais despretensiosa obra atinge mais profundamente os corações. O (bom) humor é mais efetivo para alcançar o sucesso mas o drama é sempre mais honesto e atinge só a quem conhece o âmago do artista. Ou da tentativa de deus criador de universos mágicos.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

CRAZY

"... but we're never gonna survive, unless we get a little crazy..."
Eu podia postar a mùsica do Seal que a Alanis canta. Alias, adoro essa mùsica. Mas não. EU me sinto louco. Me sinto obsessivo por coisas bem mundanas que não merecem ser citadas. Me sinto neorotico por beleza. O cotidiano me enlouquece. Estou extremamente sensivel, ao ponto de chorar ao ver novela (sim, me rendi à trama mal feita das gêmeas... porque tudo é tão obvio la?).
Ontem vi um filme que ha muito tempo queria ver, C.R.A.Z.Y. Bom, viu? Me emocionei bastante com o detalhe menos obvio ( por isso o cinema é tão superior às tele-novelas)... Não vou estragar tudo e contar a historia, por isso somente vou escrever aqui uma parabola da biblia que é citada no filme:

“À medida que um homem caminhava pela praia as suas pegadas iam sendo sulcadas na areia. Ao lado das suas pegadas via-se mais um par de pegadas.
- Tenho reparado que caminhas sempre ao meu lado quando as coisas me correm bem, pelas tuas pegadas sempre ao lado das minhas. Mas quando as coisas me correm mal, só vejo um par de pegadas na areia. Porque me abandonas quando estou infeliz? – perguntou o homem ao seu companheiro invisível.
- Quando estás infeliz, eu carrego-te ao colo. – respondeu o Senhor.”

Estou louco, louco de amor. O melhor devaneio da vida.

domingo, 15 de julho de 2007

Tradução: A fada e a Luna

É tarde e não ouçoo o miado do vento. Não posso dormir com esse calor tão forte. Queria que fosse inverno e o teto estivesse branco. Tudo muito branco e cinza, com ventos gelados que fazem todos tremerem mas não a mim. Eu disfruto mais que ninguém o frio e o inverno só me deixa o nariz vermelho. Ainda que por um momento consegui sentir um frio no nariz, não foi mais que um braço de vento suave. Não foi forte, mas mudou completamente a atmosfera do meu quarto. Algo se move entre as sombras da parede e começo a sonhar outra vez. Sonho ainda mais longe, se fecham meus olhos e sei que algo acontecerá. Com a magia nos olhos de um menino, espero a uma fada que me leve até umas ruínas mágicas. É um templo celta que se abre com a lua cheia nas terras da Galiza. "Unha terra de meigas e árbols máxicas, donde moran espíritos ancestrais, que coñecen as sementes e as cantigas das augas"(Uma terra de feiticeiras e árvores mágicas, onde moram espíritos ancestrais, que conhecem as sementes e as canções das águas - tradução do galego moderno ao português). Alhi, me lançarei a uma aventura cujo final é uma morte dolorosa e bela, depois de provar minha coragem e chegar à conclusão de que o que havia lido nos livros não eram bobagens, e sim uma vida inteira, uma verdade plena. E então volto do transe e vejo outra vez algo que se move entre as sombras. Sinto um peso nos lençóis da minha cama. E ouço a um miado, mas é da Luna, minha gata. Seus olhos brilhan na escuridão e ela se aproxima para que eu a acaricie. Doce nostalgia de algo que nunca aconteceu. Amarga recordação de que já não sou um menino que pode sonhar.

El hada y la Luna

Es tarde y no oigo el maullo del viento. No puedo dormir con ese calor tan fuerte. Quería que fuese invierno y el techo estuviese blanco. Todo muy blanco y gris, con vientos helados que hacen temblar a todos, pero a mi no. Yo disfruto más que nadie al frio y el invierno tan solo me deja la nariz roja. Aunque por un momento logré sentir un frio en la nariz, no fué más que un brazo de viento suave. No fué fuerte, pero cambió completamente la atmósfera de mi habitación. Algo se mueve entre las sombras de la pared y empiezo a soñar otra vez. Sueño todavia más lejos, se cierran mis ojos y sé que algo vá a ocurrir. Con la magia en los ojos de un niño, espero a una hada que me lleve a unas ruinas mágicas. Es un templo celta que se abre con la luna llena en terras de Galícia. "Unha terra de meigas e árbols máxicas, donde moran espíritos ancestrais, que coñecen as sementes e as cantigas das augas". Allí, me lanzaré a una aventura cuyo final es una muerte dolorosa y bella, trás probar mi valor y llegar a la conclusión de que lo que había leído en los libros no eran tonterias, sino toda una vida, toda una verdad. Y entonces vuelvo del transe y veo otra vez algo que se mueve en las sombras. Siento un peso en las sábanas de mi cama. Y oigo a un maullo, pero es de Luna, mi gata. Sus ojos brillan en la oscuridad y ella se acerca para que yo la acaricie. Dulce nostalgia de algo que nunca pasó. Amargo recuerdo de que ya no soy un niño que puede soñar.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Asas pequenas que dominam pessoas

Descobri que sou nascido no mesmo dia de António de Oliveira Salazar e Saddam Hussein (na verdade eu já sabia sobre o pobre Saddam...que desfruta da eternidade num palácio onde fazem tudo o que ele quer; inclusive vários poemas em sua homenagem e um hamburguer vegetariano chamado de odd bush). Isso talvez revele o traço mais diabólico da minha existência; o autoritarismo. Mas eu não sou tão mal... afinal, caso tivesse nascido oito dias antes, seria realmente mal. Por via das dúvidas, obedeçam-me!
Nascida nesse dia também, Kim Gordon, a do Sonic Youth. O que revela que eu tenho potencial para me tornar um ícone do rock! Também posso pintar e virar curador de museus. Além disso posso virar amigo íntimo de rapazes com com mortes que figuram entre os maiores mistérios do mundo da música post 90.
Posso atuar e ficar muito gordo, tudo por culpa de Jorge Garcia, o Hurley daquela série mais chata que festa da faculdade; Lost. Mas quanto ao sobrepeso, nao preciso me preocupar tanto, já que Penélope Cruz e Jéssica Alba também nasceram nesse dia e são magras. A primeira mais talentosa que a segunda, na minha opnião. Penélope é ainda por cima é madrilenha e chegou aonde chegou graças ao Almodóvar. Já a Jéssica, fez Sin City e é muito bonita. E tem alguns segredos em comum comigo.
Quem chorou de dor por chegar a este mundo assustador e deliciosamente paradoxal, foi Mark Steven Robinson, diretor, ator e produtor americano. O que me deixa muito feliz, já que posso aspirar a cineasta com muito mais confiança; já que meus pés são pesados demais, enquanto minhas asas são pequenas e não costumam se arriscar em longos vôos.
Existem mais pessoas, muito mais. Quem sabe você? Existem poetas e até matemático (náusea).

sábado, 12 de maio de 2007

Sessão de congelados

Tudo o que me acontece de bom, vem com prazo de validade. E não existe conservantes pra prolongar o uso. Então vou ficar um tempo sem comer congelados. Sim! Vou comer bolinhos, tomar chás... mas vou colocar uma pedra de gelo. Eu nao consigo suportar aquele vapor na boca por muito tempo.
Enfin...bon apetit!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Cold, freeze...then chill

Bom, pra começar algo que varias vezes tentei e nao levei a diante, vou tentar duma maneira diferente...e seguir o conselho do meu professor de Literatura da Faculdade;"Pra começar a escrever, diga a que vem..". Vou tentar explicar..preciso dizer o motivo de dizer, escrever, algo. Pois lá vai...Pretendo confundir..pretendo me perder e me achar depois. Logo me perco outra vez. O leitor que queira encontrar verdades, ou nexo...nao leia. Bom, leia sim... a obra é livre da intençao do autor. É vitima de diversas distorções;é isso deve ser saudável,né Doutora? Venho também pra experimentar [quem não arrisca...]. Venho por diversas razões, mas sem nenhuma razão. Expressão com muita limitação [muito bem Apolo! Você consegui enganar Dionísio]. Vim por algum motivo que ainda não posso dizer pra ti, meu bem. Mas eu te dou uma pista! Tudo o que escrito, agora digitado e com símbolos de temperamento, tem um motivo quase óbvio.
Agora conto; que o pedaço de conto não espera.
"Hoje estava assistindo tv... ouvi In My Place, na propaganda do Coldcase [alias, não é de uma engenhosa criatividade, mas gostei disso...Coldplay & Coldcase. O frio sempre é mais confortável que o calor]. Veio daquele frio um desejo de fazer algo com as palavras...porque as palavras são um jardim sereno. Mas lhes falta algo...talvez uma luz e uma cançao e uma fonte. Na fonte, há de haver uma sereia. Mas não a sereia que nada, e sim, a sereia que voa. A sirene que alcança o céu mas não as estrelas; precisaria duma armadura de astronauta e isso não é veste pra silhueta de bela fantasia. É roupa pra fantasia de agora, com muito mais ambição. A sirene voa baixo e só as virtudes humanas pretende devorar [dos vícios, fica só com as paixões]. Porque ela é fria, gosta de sentir o vento raspando em cristal, e não suporta o fogo humano de alcançar jardins quando mal cuidam do jardim de suas casas. Eles também gostam de um pouco de frio...o caminho de estrelas deve ser bem frio, mas nao é frio pra ninguém tocar. É frio pra se observar e crer que é quente, já que as centelhas dão sorrisos, e as sombras dão mistérios."